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A voz de quem não pode falar

Um grupo de ativistas de defesa dos animais acampado em frente ao Instituto Royal, em São Roque (SP), invadiu na madrugada desta sexta-feira, 18 de outubro, a sede do laboratório, que realiza pesquisas nos setores farmacêutico e veterinário, entre outros. Os manifestantes acusam a empresa de maus-tratos em cães da raça beagle utilizados em pesquisas.
O ato iniciou aproximadamente 20 horas e a Guarda Municipal de São Roque enviou policiais e viaturas aos portões do instituto, não registrando tumulto até 2 horas da manhã. Após convocarem mais pessoas para irem até a empresa, localizada a 60 km da capital paulista, os ativistas derrubaram um portão e entraram no complexo do laboratório para resgatar os cães.
Dezenas de ativistas de várias ONGs de proteção animal invadiram o laboratório da empresa e libertaram mais de 150 cães beagle usados em laboratório.
A empresa Royal é acusada pelos manifestantes de maltratar cachorros, ratos e coelhos durante testes de produtos cosméticos e farmacêuticos.
Manifestantes se acorrentaram ao portão de entrada do instituto, que, dentre outros testes, realiza alguns aonde há a irritação ocular aguda (colocar substâncias químicas nos olhos dos animais e observar que lesões causam). Os ativistas só se ausentam para ir ao banheiro e dormem no chão, alimentando-se com dificuldade. Todos são veganos. Dia 13 de outubro dois deles iniciaram uma greve de fome pela libertação de todos os animais confinados.

OS PROTESTOS
Os protestos contra o Instituto Royal tiveram início em 2012. Os ativistas alegam que a empresa pratica irregularidades, maus tratos e atos criminosos contra os animais. Em outubro de 2013 os manifestantes se reuníram com o prefeito de São Roque, Daniel de Oliveira Costa (PMDB), e pediram apoio da administração municipal e do Ministério Público.
O Instituto Royal defende suas pesquisas em seu site e diz que respeita todas as normas nacionais e internacionais no trato com os cães em laboratório. A empresa é uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e tem entre suas fontes de financiamento dinheiro público, graças ao apoio de agências de fomento à pesquisa científica. Os defensores dos animais afirmam que a empresa não possui licenças e/ou alvarás para tais atividades.

ITALIANOS DÃO EXEMPLO
Na edição 15 da Dica Animal, foi publicada a matéria do mesmo tipo de manifestação, na Itália.
Mais de mil pessoas participaram de uma manifestação contra um criadouro multinacional que usa animais para testes de laboratórios.
Dia 28 de abril, ativistas escalaram alambrados e invadiram a empresa Green Hill (Montichiari, Itália) que cria beagles para esse fim. Os manifestantes corriam abraçados aos cães enquanto a polícia tentava controlar a multidão. 12 pessoas foram presas e mais de 40 beagles foram salvos durante a ação.